A ideia desta construção aqui é abordar o Trabalho de Base na perspectiva da produção de produção (ou produção de desejo). Ou seja, a ideia é, na medida do possível, colocar a serviço das organizações de base/ de tendência um pouco da maquinaria contemporânea que lida com a questão/materialidade da subjetividade.
O trabalho de base tem muito a melhorar se puder considerar e intervir sobre os aspectos da produção de subjetividade (produção que ocorreria num campo histórico habitado pelas contingências). Assim, segundo consideramos, quando o trabalho de base for sensível o suficiente para considerar o contexto em que os nós que tecem subjetividade adquirem características aburguesadas/ reacionárias ou conservadoras, por exemplo, poderá trabalhar de forma não só mais eficaz, mas também mais libertária, pois a utilização de tecnologias leves da subjetividade (do diálogo, do vínculo, dos afetos, do regime micropolítico), garante maior autonomia ao vivo e a possibilidade de uma construção coletiva do registro macropolítico.
O Trabalho de Base munido desse olhar poderia considerar:
O Trabalho de Base munido desse olhar poderia considerar:
- Grupos despolitizados (alienados ou, com outro olhar, grupo sujeitados) como espaços passíveis de articulação e agentes da produção de desejo, de identificações, de referenciais, de compreensões, de discursos;
- Espaços/ Grupos/ Organizações menos formais, finalistas e/ou estáveis como meios legítimos de luta a que os coletivos aderem, que devem ser considerados em sua singularidade, embora não necessariamente concordemos que sejam suficientes para atingir os fins (ou produzir as rupturas) reconhecidos por nossas organizações como revolucionários.
- O posicionamento político dos coletivos (e dos indivíduos¹) como atravessado ou imanente aos processos de sensibilidade, percepção, constituição psíquica, representação, afetividade, etc.
1- Aqui, entretanto, não é interessante considerar o indivíduo como o oposto ou uma parte do coletivo. Indivíduo é um recorte da realidade que não corresponde sistematicamente com a concepção que ora utilizamos de coletivo. Nesse sentido, são os agenciamentos coletivos de enunciação do Capitalismo Mundial Integrado que produzem o modo político de subjetividade chamado de modo-indivíduo (cf. Regina Benevides, 2009, Grupo:A afirmação de um simulacro).
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